quinta-feira, 10 de setembro de 2009
SOBRE A GRIPE SUÍNA
Lewis Thomas, The lives of a cell, in Fritjof Capra, O ponto de Mutação.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
UniversiOtários
UniversiOtários
Semana passada, quando estava andando pela UNESP, peguei uma revista que estava sendo distribuída por ali, na entrada da cantina se bem me lembro. O nome da revista: OffLine. O número: 13, ano 2, agosto de
Capa e algumas manchetes:
“OffLine”;
“Incendiando mentes universitárias”;
“SEXO: ninguém é de ninguém”;
(...)
“Mochilão no Hilton em Paris? Grifes, baladas e um jeitinho brasileiro”.
Trechos de matérias:
“O nosso amor [amor?] a gente inventa”
“Como estou hoje?
Hoje estou hetero e, na verdade, todas as minhas experiências foram muito legais. Se for pensar na mais fora do comum eu diria que foi quando eu transei com dois garotos em um drive-in, mas não foi a mais marcante. As com meu último namorado foram mais marcantes...até porque não era só sexo e tals, era mais intenso.
“Pimentinha”, jornalismo PUC”. (atentem para o uso de pseudônimo)
“As mulheres não sabem o que querem – Raoni Nicolai
A pesquisadora da universidade Queen do Canadá, Meredith Chivers, fez um estudo empírico com mulheres e homens, heteros e homossexuais, onde ela mostrava cenas de sexo de todos os tipos (entre homens e mulheres, entre homens, entre mulheres, entre macacos, cenas de masturbação feminina e masculina (...)) monitorando os seus graus de excitação através de sensores em suas genitálias.
Em cada cena as pessoas tinham que apertar botões onde diziam qual o grau de excitação que consideravam estar. (apertar um botão! E chamaram isso de pesquisadora!).
O estudo acabou revelando que os homes quase não sentiam excitação que eram contra suas preferências sexuais. Diferente da mulher que são (SIC) muito mais flexíveis e ficavam fisicamente excitadas (vagina úmida e mais vascularizada) mesmo em situações das quais a cena não era considerada excitante a ela.
Não é que as mulheres mentissem no estudo. Apenas não conseguiam interpretar corretamente o que as excitava (??! Então as mulheres tem algum problema de cognição??). Cenas de sexo, independentemente do tipo, as excitavam muito mais do que as homens, não se restringindo as (SIC) suas preferências sexuais, inclusive nas relações entre macacos do tipo bonobos (??!)
“Forever Young (essa é demais pra qualquer um)
Fui com uma galera para uma rave e resolvemos experimentar uma droga diferente: o Viagra. Aquele negócio bateu, fiquei duro o tempo inteiro! Mas eu queria zoar, tava muito louco, chegava em todas as minas, abaixava a calça com o menino no talo e começa a cantar “forever Young, I wanna be, forever Young”. Não comi ninguém!”
Mr. Blue, estudante de publicidade da FIAM” (novamente uso do pseudônimo)
“Paris, Hilton”
“(...)a estudante de RP da FAAP, nossa “patricinha do interior” (...) foi conferir de perto o glamour (?) e a cultura (!!) da capital francesa.”
Domingo, dia 12 de julho.
Seguindo o roteiro turístico básico, aproveitamos o domingo de sol para visitar o Louvre. (...) cm algumas das maiores obras-de-arte do mundo, inclusive a tão falada Monalisa – que, para mim, foi uma grande decepção, já que ela mede míseros 77X53cm.” (??????!!! Acho que essa talvez seja a pior; então a obra de arte se mede pelo tamaanho?? Então ela foi literal ao dizer “maiores obras-de-arte”?!)
“Terça, dia 14 de julho
(...). Ao lado fica a famosa Galerie Lafaytte, uma espécie de loja multimarcas com nomes de peso, como Chanel, Gucci, Dior, Lancôme, Diesel, Seven, Marc Jacobs, dentre outras. Vimos escrita a palavra mágica que tira qualquer mulher do sério – sale.” (já estão vomitando? Por favor tenham estômago para continuar)
“Quinta, dia 16 de julho
Aproveitando nosso último dia em Paris, tiramos tempo para comprar tudo o que faltava, dando uma rápida passadinha na primeira loja da Dior andando pelos arredores da Champs-Élysées. Inclusive, para quem procura grifes, como Dior e Chanel, os arredores da grande avenida concentram comércio com preços mais populares” (vai à Paris para comprar.....)
Perdão pelos comentários no meio dos textos, não consegui me controlar.
A leitura dessa revista me rendeu boas reflexões. Imagino o que caras que lutaram contra a ditadura não há muito tempo atrás, caras que eram universitários, imagino o que eles diriam vendo esse retrato escroto daquilo que deveria ser a centelha da futura nata intelectual brasileira. Me pergunto se os exemplos que vemos nessa revista refletem a nossa sociedade universitária, e, caso reflita, me pergunto se há qualquer chance de salvação, não só para o país, mas talvez para o mundo. Num mundo globalizado como o nosso, é de se pensar se um diagnóstico tal da nossa juventude intelectual não possa ser aplicado a outras regiões do globo.
A revista em si até que tem algumas sacadas interessantes, mas me pergunto quantos vêem essas coisas que estão bem à frente de seus olhos. Por exemplo: a matéria principal da revista era o tal do “ninguém é de ninguém”, sobre sexo. O cara que pensou na capa teve uma idéia genial, porque, numa brilhante leitura dos depoimentos vazios e medíocres da maioria do pessoal que enviou (e)histórias, como é o caso da “Pimentinha” e do “Mr. Blue” (aliás, “ninguém é de ninguém” – que liberdade é essa em que as pessoas não podem se identificar???), colocou uma capa onde aparecem manequins (é, bonecos) numa tipo de orgia. Não é logo de cara que você saca tratarem-se de manequins, mas quando se presta atenção....Quer dizer, “ninguém é de ninguém” mas somos todos bonecos! Genial.
Outra coisa interessante está logo na capa, bem pequeno, espécie de slogan da revista: “incendiando mentes universitárias”. Numa primeira leitura pode parecer algo “cool”, mas peraí. Realmente incendiando, queimando, e não deixando nem cinzas das mentes universitárias. Quer dizer, JÁ está queimada uma mente que tem oportunidade de ir ao Louvre e, ao olhar a Monalisa, diz “nossa, que decepção – esse quadro é suuuuper pequeno!!!”. Quem são esses universitários, meu deus?! Não dá vontade de pegar a cabeça dessa menina e bater contra a parede?? Ou como diria um professor meu, tudo bem que em outro contexto, mas acho que posso aplicar: “por mim, colocava todos no paredão do Fidel”. Mas que maldita pequena-burguesia que nos persegue! Me pergunto se uma revista dessa deveria até circular. Ok. Deveria, porque censura peloamor.....mas enfim....”ninguém é de ninguém – comportamento sexual das novas gerações remove rótulos e cultua o prazer, do jeito que cada um gosta”. Nossa, como são libertários esses jovens: vivem para um hedonismo medíocre e irresponsável, e, ainda por cima, traindo sua condição de escravos coniventes do sistema, resolvem passar a tesoura em si mesmos mandando depoimentos estúpidos, mas...., anônimos!
Fiquei puto.
E não fiz revisão.
E agradeço quem teve a paciência de ler até o fim.
Felipe A Moreira, 4 de setembro de 2009.
domingo, 26 de abril de 2009
díicil neh.........pq tudo é tao dificil?
eu sou dificil, as pessoas sao dificeis, as mulheres, principalmente, essas sapo meeeesmo dificeis meu deus.
O trabalho......o trabalho é dificil - trabalhar é dificil, no que trabalhar, isso e ainda mais dificil.....
viro pruma coisa, me dizem: "vira pra outra"; eu viro pra outra coisa e me dizem "mas não é por aí; é cego?! vai por lah"
me sinto cansado msm.....to com fome, mas enfim, to fazendo td certo, acho....eu acho mas naum sei se acredito....
to conversando com uma garota no msn, que (...)!, mas gostaria q ela se interessasse por mim de alguma maneira....to falando disso pra ela e ela nem responde......q vida essa; é isso: pq é td tão dificil? ate responde; aha, faz uns minutos q parei e voltei pra cah, o arquivo ainda esta "sem titulo" olha ela de novo.....
eu vou ficando triste, mas é sempre ansiedade. Quer dizer, o q q é ficar parado a frente da tela do pc esperando alguma resposta? é ansiedade, nam é outra coisa, naum é tristeza naum; tristeza é o q vem dps, dps de eu ver q naum vem e naum vai vir, pór mais absurdo q parece, afinal como eu posso saber q naum via vir? a droga da resposta, resposta msm, reply, "my scrap's reply"
e isso me mata, msm, por isso q cada vez penso mais em procurar ajuda..........mas meu estado parece tao ridiculo, absurdo msm........poderia tbm excluir o orkut, msn, todas as merdas, mas qdo penso q alguns relacionamentos q consegui consegui por causa dessas merdas, como eu posso exclui-las?
q saco, q saco saco, sake; sake, saco? só se saco de sake!
acabei de mandar outro, ai estou esperando - resperando, respondendo resposta, estou "resperastando".......e elas me matam, elas as meninas, mulheres, enfim, sexo feminino......to cansado, quero dar um basta, todo mundo diz q faz pouco tempo, mas 1 mês (quase um mes) naum é assim tao pouco tempo, nos falamos quase todos os dias!
De noite
saum todas iguais vcs......o prazer q vcs tem no mundo é nos fazer mal.....mal e mal e mal, e cada vez pior........cobras, serpentes, evas!
pq? o q eu fiz pra vcs sempre me tratarem como lixo? eu naum me acho assim taum podre! qual é o problema afinal? fdps.........eu odeio vcs, odeio todas vcs com o mais fulminante de dentro de mim, ODEIO...........nesse momento é odio msm, pior q raiva........sinto uma inveja tremenda da facilidade q vcs tem na vida, tudo pra vcs e mais facil.......basta um olhar e ja vem os babacas coelhos machos pra cima de vcs babarem........e vcs escolhem a dedo, e querem q os outros se fodam.....pouco se importam se els estao mal, tristes, vcs taum pouco se fodendo, deixam eles lah cozinhando enquanto vcs vaum esolhendo com querem ficar, ou melhor, com quemS, pq parece q pra vcs naum ha problema nenhum em fazer dessas coisas........grandissimas FILHAS DA PUTA!
domingo, 25 de janeiro de 2009
Eu to escrevendo pra desestressar, e nem pretendo revisar isso aqui - aliás, não tenho tido mesmo saco pra revisar nada do que escrevo, provavelmente porque tenho escrito mais com o proposito do desestressar e, pra mim, isso pressupõe uma não revisão, quer dizer, o escrever é terapêutico mas o revisar requer, alem de concentração, empolgação. Tá, talvez uma revisaozinha de leve em coisas tipo pontuação pra facilitar uma possivel leitura de algum louco que tenha paciencia pra ler isso, mas nada de mudar o que escrevi. Alias, faz muito tempo que não escrevo nada no blog, mas aí! Talvez porque não tava com saco pra fazer revisão e textos bonitos, e sim só com saco pra encher mesmo, encher não necessariamente de coisas bonitas e limpinhas. Vejamos onde eu estava....ah, então, revisar requer a tal da empolgação. Eu tenho momentos de empolgação sim, mas são curtos - bom, pelo menos eu os acho pequenos, mas o senso comum reza que "tudo que é bom dura pouco", então de repente é isso, quer dizer, essa frase mostra como a Ciencia e o senso comum andam de mãos dadas às vezes. Einstein precisou de uma teoria complicadissima (bem, pelo menos pra mim qdo começam a aparecer numeros nas coisas é hora de parar!) pra mostrar a relatividade do tempo, mas a boa e velha Josicreusa (não conheco nenhuma Josicreusa, é um arquétipo) apenas precisou acreditar e repetir "Tudo que é bom dura pouco". Então, talvez seja isso ai mesmo. Mas o foda é que parece que tem trigers pra essas coisas - até horas atrás eu estava tao bem. Qdo fico pensando nisso, eu geralmente chego a conclusão de que me fodo (traduz-se ficar triste, mal, perder a empolgação) qdo tento ser outra pessoa. O problema é que quem afinal sou eu? Eu sou aquele que faz as coisas que tem medo de fazer ou aquele que não faz as coisas em função do medo que tem de fazer as coisas? Porque se não faço as coisas fico mal por não te-las feito, e se faço fico mal por nada dar certo. Então o que? Continuo no lado apático da mesa, que, por tradição, sempre foi o meu, ou continuo me aventurando e me fodendo tentando passar pro outro lado, aquele que tem todo o tipo de gente mas que sempre me apavorou? Bem, continua me apavorando, vai ver que é por isso que as coisas nunca dão certo. Tem um capitulo de um livro do Thomas Mann, "Sua alteza Real", em que um principe tenta se igualar à burguesia numa festa e acaba se dando muito mal - ele só fez isso uma vez na vida e se fodeu - nunca mais tentou. Mas no caso do principe Klaus Heinrich imagino que seja mais facil agir assim pq ele é um principe afinal de contas, ou seja, ele nasceu pra NÃO ser igual aos outros. Mas e quando alguem nasce pra ser igual aos outros, ou seja, tão membro dessa burguesiazinha quanto qualquer outro mas simplesmente não consegue se adaptar. Essa pessoa acaba tentando se adaptar em outros lugares mas parece que em lugar nenhum se adapta. Eu to falando de mim, mas acho que muita gente deve passar por isso. Me ocorre agora que de repente ninguem se sente membro de nada mesmo; talvez seja isso, sei la, isso poderia ser uma possivel explicação pra todo mundo em geral ser tão nem aí com nada. A começar por mim mesmo, sim, minha apatia às vezes é dificil de controlar - a indiferença, sei lah, é tudo tão cinza. Fico tentando pintar as coisas mas é como naqueles computadores da decada de 90, tipo 386 ou 486, com tela de 16, 48, ou msm 256 cores. Era isso ou monocromatico, mas as tais 256 cores não ajudavam muito, ficava tudo tão artificial, que a diferença real entre monochrome e isso aí era mais de superfície msm. Queéisso de diferença de superfície eu não sei bem explicar mas enfim, alguem deverá entender. Mas e dai hoje em dia, é tudo de 24 bits pra cima mas continua numa artificialidade só. Não dá pra conversar com as pessoas. Ontem mesmo fiz uma coisa que nunca faço que é ir pra balada (eu naum consigo me acostumar com esse termo, é repugnante, no minimo!) e, tipo, não se conversa com as pessoas, mesmo pq o lugar não permite. É como Adorno comenta num texto dele, putz, é tão aquilo que vou ate procurar pra fazer citação...."Ao invés de entreter, parece que tal música [de entretenimento] contribui ainda mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem como expressão, para a incapacidade de comunicação." E agora a melhor parte: "A música de entretenimento preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaçõ e pela docilidade de escravos sem exigência". Enfim, eu acho a comunicação algo extremamente importante, se não nos relacionamos uns com os outros então não existe sociedade, cacete! Eu não se é bom ou não ter uma, mas o fato é que temos uma, então qual o sentido de colocar 200 pessoas num lugar pra deixa-las surdas e mais afastadas? Porque ficamos afastados, só há uma sensação de proximidade, pq a comunicação real não pode acontecer num lugar assim....Enfim, minhas tentativas de adaptação ao mundo normal tem se mostrado muito infrutíferas....faz tempo que estou tentando e não estou conseguindo msm. Ate parece que estou escrevendo por causa de ontem, mas não é só isso não! É que tava aqui no computador,
sem ter com quem falar sobre tudo isso e acabei escrevendo....aliás, é mesmo muito melhor escrever do que conversar, às vezes. Escrever acaba sendo uma especie de relacionamente consigo mesmo...é muito bom conversar sobre tudo isso também - indiretamente é isso que vou fazer quando colocar esse texto no blog - mas é raro encontrar orelhas dispostas a discutir
coisas tão foda, e que causam uma deprê, pq msm quando encontro uma alma rara que entenda o que estou dizendo, ainda assim no final olhamos um pro outro e o maximo que podemos fazer é dizer "É foda...."
sábado, 19 de abril de 2008
Impressiona, sabem? Como nós (nós todos, em geral, apesar de eu não conhece-los todos; refiro-me à humanidade em geral, ou, talvez, melhor, aos descendentes dessa nossa chamada tradição ocidental judaico-cristã. Bem, não conheço todos - de fato, são poucos os que conheço - mas como isso não tem nenhuma aspiração de artigo científico, então não importa.) temos o costume de julgar os outros em função de nossos próprios valores. Sim sim....alguns mais, outros menos; uns dizem que não fazem isso, outros assumem sem maiores problemas, mas o fato é que, em maior ou menor escala, creio que todos fazemos isso.....Complicado, não? Quer dizer....somos todos da mesma espécie, possuímos todos uma fisiologia que deveria, pelo menos, ser muito similar, mas, apesar disso, e talvez seja isso o que faz de nós diferentes do restante dos animais, nós somos indivíduos. Possuímos a capacidade de nos diferenciar mesmo entre os membros da mesma espécie. Ainda assim, talvez por uma tradição platônico-aristotélica, de crer num pressusposto universal regente e da necessidade de classificação das coisas a fim de melhor compreende-las (funciona? não sei....), parece que nós temos uma tendência a querer colocar as coisas "no mesmo saco", julgando tudo por determinado ponto de vista - em geral, o nosso próprio, condicionado por experiências pessoais e mais um "n" de coisas - e não conseguindo enxergar, dessa maneira, outros formas de ver as coisas.
Quando estamos na esfera do racional, do científico, isso pode trazer muitos problemas, todos sabem disso. A idéia positivista de julgar o passado de acordo com o olhar do presente - uma visão evolucionista de cabresto - é exemplo disso e todos sabem que essa abordagem já está mais do que superada do ponto de vista epistemológico.....Bem, então, essa unilateralidade de pontos de vista, quando aplicada à epistemologia, é péssima, todos sabem, mas, talvez até por isso e talvez também por uma tradição cultural de busca de conhecimento científico, já foi cansadamente discutida nesse século e, pelo menos nos lugares onde isso (a visão científica, a busca de conhecimento) é tradicionalmente incentivado, continua a sê-lo. Então, queria comentar um pouco sobre a questão emocional desse costume de julgar os outros segundo os próprios valores e pontos de vista.
Não poderia dizer com certeza (existe isso aí?) mas acredito que o emocional é sempre, ou quase pelo menos, mais complexo que o racional. É óbvio que não existe um limite claro entre as duas coisas, a aparente dicotomia é mais um exemplo da nossa tradição em classificar as coisas e, dessa forma, tentar explicar os paradoxos inerentes à realidade. Mas então.....por que fazemos isso? É uma questão que coloco. Eu, por mim, quando me relaciono com alguem, e sempre coloco isso de relacionamento na pauta, porque acredito que na esfera das coisas emocionais, não há nada que lhe coloque tão de frente ao espelho - espelho falante claro, não só falante, mas que também cospe e bate em você - de repente nossa vida vira de pernas pro ar e já não sabemos mais de nada - o que era o mais importante na sua vida na semana passada já não é mais, seus valores e princípios começam a se desfazer, enfim, "booom" e não entendemos mais nada. Pois bem, quando sentamos e tentamos entender alguma coisa muitas vezes nos deparamos com esse dilema - "por que ela fez aquilo?" (vou me referir a "ela" porque sou (estou?) homem hetero), "mas se ela disse aquilo, então por que age em desacordo?" Essa última frase exemplifica bem aonde quero chegar......"ela disse aquilo, e agiu em desacordo" foi o que ouvimos.....Bem, isso é julgamento certo? Quer dizer, quando pensamos isso estamos julgando a atitude dela incompatível com o que ela tenha dito. Mas a questão é: como podemos saber se essa atitude é, de fato, incompatível com o que quer que ela tenha dito? Não podemos saber, certo? Acho que é bem óbvio que não temos como realmente saber, simplesmente porque não somos a pessoa! Nós somos nós, ou melhor dizendo, cada um é cada um. O incrível é que, mesmo quando percebemos o quão absurdos, quando analisados pormenorizadamente, são os nossos pensamentos (quando julgamos o outro sob nosso olhar idiossincrático), ainda assim não conseguimos deixar de tê-los. Eles simplesmente aparecem. Na verdade aparecem como muito mais que pensamentos. Vem como sensações, sentimentos, e às vezes acabam por suscitar reflexões mais filosóficas como a que estou tentando fazer agora. Acho que essas respostas talvez sejam encontradas (ao menos provisoriamente) na psicologia, mas até agora não obtive resposta. Se alguem souber de algo que possa ler me avise por favor.
Ao fim ao cabo, acho que escrevo isso pra desabafar. Quando estamos apaixonados nosso mundo fica meio maníaco mesmo não é? Quer dizer, dos meus leitores, creio que aqueles que sentem duma forma mais ou menos parecida com a minha vão entender o que estou dizendo. É triste porque nos encontramos apaixonados e, em decorrência disso, temos atitudes que condizem com a situação. Mas aí é que está, esse condizer é nosso condizer, e não necessariamente do outro. Quando o outro tem uma forma de expressar os sentimentos muito diferente da nossa nós acabamos nos decepcionando. Eu, por mim, tenho uma forma analítica de pensar que sempre me leva a crer que ninguem é culpado de nada. Prefiro pensar, por razões óbvias, que uma pessoa nunca é unicamente responsável por nada (esse é Deus) o que leva à idéia de que ninguem tem absolutamente a culpa. A culpa é sempre de todos os envolvidos numa situação ou talvez, ela (a culpa) seja mesmo é da situação! Mas então, voltando ao "Quando o outro tem uma forma de expressar os sentimentos muito diferente da nossa nós acabamos nos decepcionando", então, de quem é a culpa? Sei que acabei de dizer que, racionalmente, não creio que haja alguem culpado. Mas, na prática, eu me sinto culpado quando isso acontece. Por que? Engraçado não é? quer dizer, não faz sentido! É como se o errado realmente fosse eu, tipo, tenho alguma coisa torta que preciso endireitar. Penso, inclusive, que se todos fossem iguais a mim o mundo seria uma catástrofe, com um monte de mais fracos suicidando-se aos 18 anos, outros um pouco mais fortes se cortando, e outros mais velhos chorando dias seguidos e não conseguindo se concentrar. Já passei por essas coisas, não pelo suicídio (embora tenha passado várias vezes pelo vontade de), e foi a pós-reflexão dessas situações que muitas vezes me levou a pensar que seria tão melhor um mundo sem sentimentos. Um utópico mundo de autômatos marxistas onde uma humanidade meio budista viveria uma felicidade plena calcada no respeito ao próximo e na ausência de desejos, excetuando aquele do bem do planeta. Pois é, às vezes me parece que o mundo seria melhor se nós fôssemos máquinas ao invés de humanos, ou ao menos humanos pensando como máquinas........Mas aí vem.........quando me apaixono tudo vira de pernas pro ar. Nesse momento (porque estou apaixonado nesse momento, é claro.....não estaria escrevendo tudo isso se não estivesse, dã) a minha maior felicidade é estar com essa pessoa. Essa felicidade é isso: quando ela repousa seu lindo rosto sobre o meu ombro e nossas mãos se acariciam, e depois eu percebo seus olhos fechados; essa felicidade é a de que eu poderia morrer naquele momento, quer dizer, não há mais nada pra ser feito, é uma felicidade plena.....é verdade, não vou mentir, dura poucos segundos........depois já vem outras vontades, outros medos, que embaraçam tudo. Mas existe. Existe aquele momento que talvez faça com que realmente existe esse substantivo tão estranho, ao mesmo tempo concreto e abstrato, essa tal "felicidade".
sexta-feira, 21 de março de 2008
Reflexão sobre o ciúme

Ciúme
Ciúme é coisa sem sentido, sem razão. Explico: a causa do ciúme é a necessidade de domínio sobre a vontade alheia, algo que, obviamente, é virtualmente impossível. Se é impossível é irracional, sem razão. Pode-se até ludibriar a vontade alheia, mas nunca controla-la de fato.
O ciúme é, na verdade, uma disfarçada insegurança. Enorme insegurança. E também vontade de poder (que nada mais é do que insegurança, também disfarçada). Esse desejo de impor a própria vontade à dos outros é, alem de irracional, imoral – a liberdade de julgamento e de ação deve ser inerente a todo ser humano, sendo assim a tentativa de impor, sob quaisquer formas de coerção, os próprios valores e a própria vontade sobre a de outra pessoa é algo, intrinsicamente, imoral. Quem acharia por bem perder a própria liberdade de ação?
Raiva, energia
A manifestação física do ciúme, seu desdobramento no mundo sensível, é perceptível pelas conseqüências da raiva que ele geralmente suscita. Em geral, o ciúme leva à raiva, ao menos quando não controlado. A raiva também se mostra irracional – todos os seres animados possuem raiva; é a forma pela qual um ser procura atingir seus objetivos quando outros meios de ação se mostraram ineficientes. O problema é que, quando o ser “A” procura atingir os próprios objetivos por meio da raiva, acaba por infligir dano a outro um outro ser, por exemplo, “B”, ser esse que “A” geralmente, em sua cegueira raivosa, acredita ser o impecilho real que o impede de atingir seus objetivos. Logo, vêe-se que a raiva, quando permite algum sucesso, só o permite a um de dois, ou mais, seres. Dessa maneira também, assim como o ciúme, define-se a raiva como algo irracional e, nesse caso, por conseguinte, também imoral.
A raiva, ao mostrar-se no mundo sensível, o faz por ações, por trabalho. Trabalho é gasto de energia. Logo, a raiva leva a um excessivo gasto, também irracional (assim como o ciúme e a própria raiva) de energia, energia essa que poderia ser utilizada em ações mais satisfatórias para a construção de uma sociedade mais equilibrada.
Difícil...
Agora falando por mim mesmo. Cheguei a essas conclusões depois de algumas reflexões privadas (sim, ambigüidade; para mim, pessoalmente, o local de reflexão filosófica, por excelência, é o banheiro, em tudo que este proporciona). Penso ser impressionante como uma coisa aparentemente corriqueira e banal como o ciúme pode, depois de analisado, assumir proporções colossais – se essa energia oriunda da raiva que nasce com o ciúme fosse utilizada para questões comunais poderíamos vivenciar uma outra idéia de sociedade pois, afinal, quem não sente ciúme? Infelizmente, eu, por mim mesmo, ainda não a aprendi a controlar esse sentimento tão misterioso (na verdade, qual sentimento não é misterioso quando posto em análise pela razão, que é filha recente dele?). Também não é possível prever quais seriam as conseqüências de um eventual controle sobre esse sentimento. Nosso “pai inconsciente” poderia desgostar-se com o “filho consciente”, por vezes nada pródigo. Como geralmente acontece após refletir, não cheguei a nenhuma conclusão, o que pode ser bom. Ou não.
(imagem: King, Haynes, "Ciúme e flerte"; from "wikipedia")Felipe A Moreira jun/07, mar/08
